Sexta-feira, 17 de Julho de 2009

dá pra ser triste assim?

Quinta-feira, 16 de Julho de 2009

Tenho pensado muito em algo que Diderot diz em um de seus romances. Ele dizia que somos recompensados pela perda de nossa inocência com a perda de nossos preconceitos. E eu tenho me visto vivendo exatamente isso. De repente me descobri uma pessoa cheia de pré-conceitos (no sentido gadameriano da coisa, Cacá!), cheia de idéias a respeito das pessoas. E Diderot acertou, mais uma vez, ao falar das máscaras também. Por que foi quando elas caíram que me vi liberta desses ideais infantis. Porque eu acreditava que o que mais importava em alguém era a inteligência, no sentido intelectual da coisa. Mas acabei esquecendo que inteligência, erudição, não é garantia de nada nesta vida, muito menos de caráter, de bondade. E eu me vi flertando com o mocinho de cabelo engraçado do bar ao mesmo tempo em que pensava "eu jamais ficaria com alguém assim". E, por sorte, eu me enganei profundamente. E esse engano me fez ter um olhar totalmente diferente em relação à tudo o que, até então, eu desprezei. Porque eu me descobri absurdamente inocente (sem chavão nenhum) e tive minha alma lavada por essa avalanche de surpresas ruins, e me vejo realmente recompensada dessa perda por algo que levarei comigo para sempre: um outro olhar para a vida. As máscaras não escondem só aquilo que não somos, mas também aquilo que somos. Pra minha sorte e felicidade, essa última máscara escondia o que ele era e não o que gostaria de ter sido, como no triste filme que assisti a algum tempinho, e do qual não pretendo ver reprises...
Eu já não reluto mais em dizer o que sinto, mas também acredito bem pouco na viabilidade desses sentimentos. Melhor assim. Andei pecando demais pelo excesso. Excesso que, a bem da verdade, nada mais era que muita sinceridade e uma ânsia tremenda de mostrar os ossos.

Segunda-feira, 13 de Julho de 2009

paixões

Voltaire me disse hoje:

"Paixão é uma infinidade de ilusões que serve de analgésico para a alma. As paixões são como ventanias que enfurnam as velas dos navios, fazendo-os navegar; outras vezes podem fazê-los naufragar, mas se não fossem elas, não haveriam viagens nem aventuras nem novas descobertas."

:)
cheiros e marcas roxas. uma pulseirinha quebrada no chão. mais cheiro. nenhuma pista do que virá depois...

Quinta-feira, 9 de Julho de 2009

De repente eu decubro que o mertiolate realmente já não arde mais quando cai sobre aqueles machucados. Descubro o significado de algo muito maior, de uma cumplicidade muito boa de se experimentar, uma alegria desmedida, algo que não vem em pílulas.
Por que já tem quase dois meses que nós comemos o strogonoff que eu faço. Quase todos os finais de semana. E tem o supermercado que sempre vamos de madrugada, as caxetas - que na verdade são pif paf - as músicas do Arctic Monkeys, as piadas que me fazem ouvir a risada mais gostosa do mundo - sim, Cacá! a sua risada! - os três colchões no chão da sala, os 500 edredons, os filmes - às vezes cult's, às vezes babacas - o jogo de futebol e tantas outras coisas pequenas de tão grandes.
E tudo isso me enche de fôlego, ar suficiente pra mergulhar fundo em mim mesma novamente e em toda essa angústia e encontrar nela mesma todos os meus sorrisos. Fazer dessa borra grossa e amarga, um café doce e agradável. E não fará diferença nenhuma tomar esse café com aquele mocinho de cabelo engraçado ou com qualquer outro, desde que essas estrelas que brilham tanto estejam sempre comigo...

Segunda-feira, 6 de Julho de 2009

Sim!

"por seco e calmo ódio, quero isso mesmo, este silêncio feito de calor que a cigarra rude torna sensível.
sensível? não se sente nada.
senão esta dura falta de ópio que amenize.
quero que isto que é intolerável continue porque quero a eternidade."