domingo, 8 de novembro de 2009

o lado ruim de viajar é que a gente volta...

sábado, 31 de outubro de 2009

mas não se sinta assim, tatá. lá tudo é igual. também já foi pra você. agora tudo será estréia.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

ortodoxia ou ortopraxia?

Eu acho que somos todos, no fundo, como São Manuel Bueno. Eu pelo menos me vejo assim. É dificil encarar abismos de frente. E quem nos julgará pelo modo com o qual fingimos? Quem se atreveria? Quem poderia? Sua santidade morou ali, na sua falta de fé. Eu me lembro também da história de Kierkegaard, que se chocou ao descobrir que seu pai, homem de muita fé, certa vez subira numa colina e amaldiçoara a Deus a plenos pulmões. Nesse desespero nasce sua filosofia. Na doença, como sabiamente disse Unamuno, é que nos afirmamos como força criadora; só a doença nos permite criar. Somos animais doentes, porque temos consciência e - sim, querido Anjo - porque somos mal construídos. Melhor assim.
Eu nem sei mais o que estou escrevendo...
blá blá blá
tchau

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Ela está sentada numa cadeira de balanço velha com suas pedrinhas amarelas num saquinho. Ela então as desembrulha e cobre com fogo. O cheiro é bom. Ótimo. Então ela se lembra da voz dele dizendo: "Bruxa!" Só agora se dá conta do tom estranho daquela palavra. Só agora...

sábado, 17 de outubro de 2009

Sou o estrangeiro pronto a reviver tudo.
É Camus quem diz que todas as grandes idéias tem um começo ridículo, um nascimento miserável. Sim, às vezes na porta giratória de um restaurante, mas também, às vezes, sozinha dentro de um táxi, com chuva ou num vagão de trem vazio.
Que dor alegre essa a de amar a contingência. Ele estava certo, é preciso eternizar-nos no possível...

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Não existe erro na vida. Impossível seria já que nunca poderíamos escolher nada além do que escolhemos.
No sofá, dividindo um pouco de toda aquela loucura com um desconhecido bêbado, meus olhos brilharam como os daquela bruxa que queimava.
Compreendo ainda melhor o que Benjamin quer dizer. Compreendo o signo submerso nas flores amarelas.
Era mesmo para ser desse jeito, pois esse livro talvez tenha sido escrito antes de nós. Ou foi no momento em que eu vi seus olhos pelo espelho, apontados para mim?
E no fundo eu sempre soube como acabaria, como seria triste, violento, amargo. Não poderia ter sido diferente. Eu preferi sangrar e morrer, preferi machucados por toda a alma, pois foi o infinito de fora que eu escolhi. O ínfimo de dentro me faria ser e ter o que você é e tem agora.
O morno realmente nunca me atraiu. Gosto de queimaduras e hipotermia. Eu jamais seria a eleita para viver aquele romance de revolutionary road, pois eu teria o mesmo fim que aquela mulher se enchendo de água quente no banheiro, quando já estava morta há algum tempo, talvez desde que deitara naquele banco de carro. Ou fora desde que botara os olhos nele?
Ele também jamais teria conseguido acompanhar-me. Jamais. Sua pele era sensível demais ao calor e ao frio.