domingo, 14 de junho de 2009

Disseram que nossa vida é só um roupa emprestada. É verdade. Alguns, por saberem que terão de devolvê-la um dia, cuidam bem dela; outros não têm muito zelo com o que não lhes pertence, ou ignoram que é apenas um empréstimo.
Eu sei apenas que quero cuidar muito bem disso tudo. Nas aulas de Hegel a gente nunca imagina que poderá aplicar toda aquela coisa difícil na vida, mas de repente percebe que ele está certo quando diz que não dá pra queimar etapas, que o processo é necessário, inevitável.
Isso tudo é um grande rio de lodo, de bíles negra. Mas é preciso mergulhar, é preciso se sujar, engolir um pouco dessa água densa e lutar quando ela se transforma em areia movediça. É difícil quando nada mais reverbera, quando o coração bate e já não ouve nenhum eco do outro lado. É difícil. Mas desconfio que a cura esteja nessas profundezas, nessa encosta amarga. E eu agradeço pelo vento que bate no meu rosto quando eu penso em desistir, um vento bom que sopra em meu ouvido que o sangue irá estancar, que nos buracos do coração nascerão flores, que as bolhas nos pés serão todas de sabão...

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